Habemus livro!

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Deixe-me falar um pouquinho de contextos (prometo não me alongar, mas o contexto importa): o ccult.org nasceu em 2019, quando eu já encaminhava o término da escrita de minha dissertação que defendi em outubro do mesmo ano. Na verdade, a ideia já nascera anos antes — e até viralizou um pouquinho num texto que escrevi numa tarde dentro da BSP, local onde concentrava minhas tardes para estudar para o processo seletivo do mestrado que, anos mais tarde, concluí na Universidade de São Paulo — e foi se espalhando aos pouquinhos em textos publicados no Medium e, posteriormente, aqui no ccult.org.

A questão era que desde muito antes de entrar no mestrado, eu já tinha algumas inquietações sobre o ensino de ciências, e em especial, o ensino de física. Para mim, sempre houve de tudo, menos… Ciência! Discutem-se conceitos, respondem-se a exercícios, apresentam-se estratégias para vestibulares; o espaço para falar de ciência, suas práticas, suas formas de discussão e de validação, seus métodos e até as implicações ficam reduzidas a momentos como “pílulas de curiosidade”, pontos soltos que servem apenas como escada para alguma tirada bem-humorada ou apontamento superficial de qualquer coisa.

Não sou daqueles que pensa que vai mudar o mundo com suas ações. Mas acho que dá para tentar apontar caminhos — hoje sou, no máximo, uma pulga que morde um maquinista¹ —, quem sabe gerar reflexões nem que seja para mostrar o quão errado estou.

Há muito espaço para discutir a cultura científica em sala de aula, em qualquer disciplina, em qualquer área do conhecimento, em qualquer nível de ensino. E não é necessária nenhuma metodologia revolucionária para isso: dá para apresentar e discutir a prática científica em seus vários aspectos em aulas tradicionais, com giz, lousa, leituras, perguntas anotadas na lousa (o que, claro, não inviabiliza o uso de outras metodologias menos tradicionais para atingir esse objetivo).

Com base nas pesquisas desenvolvidas durante o mestrado, deixei minha contribuição inicial para o tema. No Brasil, a BNCC já apresenta itens relevantes sobre a cultura científica e a sua discussão em sala de aula – incluindo o uso de materiais de divulgação científica. E em um momento tão singular em que vivemos, com a ciência sendo inseparável do desenvolvimento social, tecnológico e econômico, é fundamental que cada vez mais pessoas compreendam os caminhos da ciência e de seus conhecimentos. Aliás, tão importante quanto conhecer os caminhos de desenvolvimento e de validação do conhecimento científico é saber que todos temos uma concepção sobre o que é a ciência. Isso, claro, inclui os nossos alunos e alunas. Pode ser surpreendente para muitos, mas nossos alunos possuem visões muito críticas sobre a prática, a evolução e a relação do conhecimento científico com a sociedade.

E tudo isso é discutido no livro: “Tendências epistemológicas e a cultura científica em sala de aula”. Nele, parto da discussão sobre o que é cultura científica e as visões do que é ciência (tanto enquanto definição do termo como prática, no sentido dos métodos utilizados) para propor formas de avaliar a presença de elementos deste tipo de cultura e as visões de ciência apresentadas pelos eles e, a partir disso, planejar aulas que apresentam elementos deste tipo de cultura e permitam ao próprio aluno refletir sobre o que conhece a respeito do tema.

Embora voltado para o ensino de física — e por extensão, para o ensino de ciências — o “Tendências epistemológicas e a cultura científica em sala de aula” pode ser lido por qualquer pessoa que se interesse sobre ciência (você pode até descobrir qual a sua visão sobre ela!).

Você pode adquirir o seu exemplar em formato impresso ou digital:

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Lançar um livro não é um fim em si mesmo. Uma frase atribuída ao Gabo diz que: “O escritor escreve seu livro para tentar explicar a si mesmo o que está além de sua compreensão”. Honestamente, espero que minhas ideias, percepções e conclusões ajudem, de alguma forma, a modificar o cenário catastrófico que se apresenta no ensino de ciências. Bem, não sou mais dono de minhas ideias e se alguém mostrar até que estou errado, já será de algum avanço para a ciência.

Se eu pudesse tecer linhas livres de comprimentos para agradecer a inspiração e ajuda que muitas pessoas me deram, eu possivelmente não conseguiria expressar tudo — aliás, não sou muito bom nessas coisas, infelizmente. Reitero minha gratidão a Sandra, com quem dividi a parceria na escrita deste livro, a Roseli — que faz artesanatos incríveis e revisões de texto fantásticas —, aos colegas, coordenadores pedagógicos e diretores das escolas onde pude aplicar meus projetos de pesquisa, aos incentivadores que financiaram ou compartilharam a campanha no Abacashi, aos amigos da RedLCC e, claro, cada pessoa que me leu ao longo desses anos todos no ccult.org ou em outros lugares. Vocês todos caminham de pantufas em meu coração!

¹ Referência a Mafalda, de Quiño, que dizia em uma de suas tirinhas que “uma pulga pode não parar um trem, mas pode morder o maquinista!”.

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