O acesso aberto na ciência tem se tornado uma tendência

Há algum tempo, escrevi sobre o Sci-Hub e como o site estava contribuindo para uma revolução na ciência. Afinal, proporcionar o acesso aberto à informação é permitir que o conhecimento seja discutido, aperfeiçoado e aplicado por um número muito maior de pessoas.

Agora, é a união europeia quem discute o acesso aberto as publicações científicas do continente, vistas ao que acontece com algumas universidades europeias, que aderiram ao acesso gratuito e irrestrito a produção científica. Há o compromisso para que até 2020, toda investigação científica publicada por lá seja no sistema open acess.

Isso por si só já seria uma ótima notícia, mas ainda tem mais: os EUA, pelas mãos do vice-presidente do país, Joe Biden, disponibilizou um banco de dados de pesquisas sobre o câncer com o acesso livre. Agora, pesquisadores do mundo todo podem se debruçar sobre os dois pentabytes de dados clínicos já liberados.

Essas iniciativas têm relação com a revolução na forma como a ciência vem divulgando seus resultados que se acentuou a partir dos anos 2000. Ao invés de gastar uma fortuna com assinaturas, submissões e leitura de artigos em revistas científicas, pesquisadores do mundo todo tem publicado seus trabalhos em revistas de acesso aberto, não só como forma de protesto — afinal, publicar um trabalho em uma revista “fechada”, além de todos os custos de seu trabalho, limita o alcance de sua pesquisa — , mas também como necessidade frente as exigências de fundações e fundos de financiamento de pesquisas. E isso nos traz o seguinte cenário:

 

Se as tendências se confirmarem, a partir de 2018 teremos mais trabalhos publicados sob a forma de open acess do que pesquisas publicadas com acesso restrito. Isso implica na diminuição de custos de publicação projetadas — pasmem — em pelo menos US$ 5 bilhões por ano (!) segundo a Frontiers e a redução de uma boa fatia do mercado editorial das revistas científicas. Por isso, as editoras começam um crescente movimento para se adaptarem ao mercado, aumentando a parcela de dados disponibilizados gratuitamente e o combate (?) à pirataria (??) de artigos científicos (vide a briga da Elsevier contra o Sci-Hub e editores que disponibilizavam gratuitamente seus artigos para terceiros).

É claro que ainda há muito a ser feito no sentido de disponibilizar o acesso irrestrito ao conhecimento científico para qualquer pessoa interessada. Esse texto da Marília Morenovisky toca no assunto de maneira magistral. O acesso aberto é uma excelente iniciativa, mas sem grande alcance enquanto a cultura científica não mudar como um todo. A mudança leva tempo. Pelo menos estamos testemunhando isso acontecer.

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Iniciativas de acesso aberto:

 

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